logo o galo cantará mais uma manhã.
fico à espera que o amor termine em minha cama, emprestada aos amores alheios. um cigarro antes do amor, durante, depois. enublo meus pensamentos sobre conversas de travesseiro, de sussurros, de suspiros, de promessas fáceis.
os amantes agradecem timidamente. mais promessas.
acendo outro cigarro.
em minhas mãos os amores do mundo. os cigarros de amor e a fumaça de amor.
a brasa baila aos gestos do maestro.
os amores do mundo, aos meus gestos.
o passado é uma cama que logo fica vazia, é o eco das promessas de todos os homens que um dia passaram por ela.
outros cavalos e flores que um dia passaram por mim.
sabujos e santas prenhes de afeto fecundam os lençóis que um dia bordei com as promessas que ouvi.
de súbito, saio a fim de quebrar o pescoço do galo.
amanhã, outros amantes virão merecer minha cama,
mas essa manhã que vivi não nascerá nunca mais.
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