quero que você me morra na base da angústia
da unha na carne mesmo
mas que antes me mate de falta
essa presença é um bicho que alimento
e depois chuto pelos cantos
vai, tira minha vida assim, um dia depois do outro
que nem buraco de bala
até que sobrem os que eu acordei sem você
só o sonho que é bom, toda vez um rosto diferente
olhando pra mim
sonhar com você é uma roleta russa
sempre morro no seu sorriso
agora deixa eu levantar e fazer a barba
pra tirar essa insônia da cara
- de noite a gente conversa
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terça-feira, 31 de março de 2015
sábado, 11 de outubro de 2014
essa minha língua lusa
essa minha língua lusa
abusa do som do trovão
passa o sonho na lousa
e, trocando de estação
estabelece que a coisa
não tem causa ou efeito
nem tem jeito ou censura
tem cura se para no peito
tem uma cara que não atura
o tanto que passa no tempo
portanto ela sobe no muro
põe-se em olhos amarelos
só pra ser gato no escuro
abusa do som do trovão
passa o sonho na lousa
e, trocando de estação
estabelece que a coisa
não tem causa ou efeito
nem tem jeito ou censura
tem cura se para no peito
tem uma cara que não atura
o tanto que passa no tempo
portanto ela sobe no muro
põe-se em olhos amarelos
só pra ser gato no escuro
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
evidência nossa de cada dia
essa minha língua
na ponta do lápis
lambe-me as linhas
pra que as apague
adjevirto quem tente
me ler de repente
pois já está dito
o princípio era o verbo
se ser ou estar
caberá somente
aos intérpretes dos gritos
que eu acabei de apagar
na ponta do lápis
lambe-me as linhas
pra que as apague
adjevirto quem tente
me ler de repente
pois já está dito
o princípio era o verbo
se ser ou estar
caberá somente
aos intérpretes dos gritos
que eu acabei de apagar
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
oceana
um poema tem tantos
nomes tantos poemas
e tantos nomes não
rimam, nomes primos
que se importunam
somente por si mesmos
como o nome sem nome
sem verso, sem poema
que oceana, mar.
nomes tantos poemas
e tantos nomes não
rimam, nomes primos
que se importunam
somente por si mesmos
como o nome sem nome
sem verso, sem poema
que oceana, mar.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
força motriz
quando disse "faça-se a luz"
com certeza quis dizer café
primeira obra a ser feita
mesmo num domingo de manhã
descansar é para poucos
coisa de deuses da chuva
dos barulhos de tupã
a primeira obra divina
foi posta num copo de vidro
taí um gole que a gente
[não deixa pra santo nenhum
aí, sim, a gente cai na rotina
a gente gera e se ilumina
e a gente se mexe
ah, cafeína,
força motriz.exe
com certeza quis dizer café
primeira obra a ser feita
mesmo num domingo de manhã
descansar é para poucos
coisa de deuses da chuva
dos barulhos de tupã
a primeira obra divina
foi posta num copo de vidro
taí um gole que a gente
[não deixa pra santo nenhum
aí, sim, a gente cai na rotina
a gente gera e se ilumina
e a gente se mexe
ah, cafeína,
força motriz.exe
terça-feira, 7 de outubro de 2014
ó, pedaço de mim
ó, pedaço de mim
o sol não veio com o dia
disse que viria
assim como veio um pedaço
de vida pelo correio
que eu nunca paguei em dia
deixei o plano da existência
tá vendo, pedaço de mim,
que sonhos não têm carência
bem, o que se quis
se fosse à vista
eu inda era feliz
a gente se vê por aí
no nosso caso
é seguro dizer
terra a prazo
o sol não veio com o dia
disse que viria
assim como veio um pedaço
de vida pelo correio
que eu nunca paguei em dia
deixei o plano da existência
tá vendo, pedaço de mim,
que sonhos não têm carência
bem, o que se quis
se fosse à vista
eu inda era feliz
a gente se vê por aí
no nosso caso
é seguro dizer
terra a prazo
domingo, 7 de setembro de 2014
acusado in terno
a testemunha
crava suas unhas
nas palmas do medo.
o juiz aponta o dedo:
- culpado!
todos olham de lado,
o alívio é imediato.
ninguém sabe como
mas, o culpado, de fato,
era o mordomo.
(que nesse dia estava de folga)
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
partindo de uma frase
partindo de uma frase
fui parar em outra esquina
onde quase tudo era quase
e onde quase nunca termina
virei a citação do momento
tendo aspas como morada
pousei onde não bate vento
e onde a língua da namorada
tem tradução e entendimento
aqui onde ainda é ontem
fui mais feliz que o normal
e peço que não me contem
o que há antes do ponto final.
fui parar em outra esquina
onde quase tudo era quase
e onde quase nunca termina
virei a citação do momento
tendo aspas como morada
pousei onde não bate vento
e onde a língua da namorada
tem tradução e entendimento
aqui onde ainda é ontem
fui mais feliz que o normal
e peço que não me contem
o que há antes do ponto final.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
ao mar
aos olhos teus, quando marés,
os meus se desfazem, areia;
quando chegam à maré cheia,
fazem água ao molhar os pés.
basta que me sigam, apenas,
as marés aos meus pés tristes;
talvez mãos ganhassem penas
e se erguessem asas em riste.
então, olhos e asas molhadas,
irei sem saber pra onde vôo;
descobrirei a penas acidentadas
o quanto custa saber quem sou.
os meus se desfazem, areia;
quando chegam à maré cheia,
fazem água ao molhar os pés.
basta que me sigam, apenas,
as marés aos meus pés tristes;
talvez mãos ganhassem penas
e se erguessem asas em riste.
então, olhos e asas molhadas,
irei sem saber pra onde vôo;
descobrirei a penas acidentadas
o quanto custa saber quem sou.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
força do hábito
me desliguei da vida feito um ser ilógico
eu pus nos pés a terra num passe de mágica
e morri feito amante que se entrega ao hábito
em sonho vi nos anjos um anseio fálico
mas despertei a tempo de louvar em cântico
e a voz foi de repente parecendo explícita
errando pelo claustro vinham freiras bêbadas
de vinho e de alegria por voltar do hospício
onde encontraram deus em sua santa cólera
temi que me ouvissem e num horror estúpido
mantive a porta aberta pra enganar o gênese
e entreguei o ventre aos meus apelos mímicos
foi tudo calculado com cara de máquina
trinquei dentes num gosto que supus ser pólvora
e à voz dos anjos virgens explodi em música
eu pus nos pés a terra num passe de mágica
e morri feito amante que se entrega ao hábito
em sonho vi nos anjos um anseio fálico
mas despertei a tempo de louvar em cântico
e a voz foi de repente parecendo explícita
errando pelo claustro vinham freiras bêbadas
de vinho e de alegria por voltar do hospício
onde encontraram deus em sua santa cólera
temi que me ouvissem e num horror estúpido
mantive a porta aberta pra enganar o gênese
e entreguei o ventre aos meus apelos mímicos
foi tudo calculado com cara de máquina
trinquei dentes num gosto que supus ser pólvora
e à voz dos anjos virgens explodi em música
terça-feira, 2 de setembro de 2014
alcoolírico
ponha um litro
de absurdo
com dois dedos
de absinto
para então
de quando
em quando
entrar em coma
alcoolírico
de absurdo
com dois dedos
de absinto
para então
de quando
em quando
entrar em coma
alcoolírico
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
minha poesia à margem
minha poesia
à margem
é toda narciso
feita a minha imagem
ela é tudo o que eu preciso
à margem
é toda narciso
feita a minha imagem
ela é tudo o que eu preciso
domingo, 31 de agosto de 2014
o poema andava tão à margem
o poema andava tão à margem
que caiu no rio
de janeiro
seguiu viagem
foi pra são paulo
e de lá
pro mundo inteiro
que caiu no rio
de janeiro
seguiu viagem
foi pra são paulo
e de lá
pro mundo inteiro
sábado, 30 de agosto de 2014
poema para os olhos
é coisa de doce que nada entre
peixes e sereias
é cor da areia em noite escura
e dura tanto
quanto a infância
faca sem fio feita a lápis
moda que não passa
pigmento de felicidade
sem marcas, manchas
máculas
coisa que se lê
em livro de figuras
estampada
na fotografia
dos teus olhos
peixes e sereias
é cor da areia em noite escura
e dura tanto
quanto a infância
faca sem fio feita a lápis
moda que não passa
pigmento de felicidade
sem marcas, manchas
máculas
coisa que se lê
em livro de figuras
estampada
na fotografia
dos teus olhos
quinta-feira, 28 de agosto de 2014
poema
o que canto se escreve, não se lê
só uma palavra largada em folhetos
não tem nem por onde, vai ter porquê?
seus versos dormem em ruínas, inquietos
despertam num vão, ninguém sabe aonde
correm nas rotinas morrem nos feriados
fugiram de casa têm os pés inchados
se rogo por eles nem deus me responde
o poema prostrado saiu da gaveta
um verso rasteiro o levou pra sarjeta
e achou a palavra sem lar nem língua
sem filhos nem pai, nem mãe também
e vejo agora a voz morrer à míngua
feito andarilho nos trilhos do trem.
só uma palavra largada em folhetos
não tem nem por onde, vai ter porquê?
seus versos dormem em ruínas, inquietos
despertam num vão, ninguém sabe aonde
correm nas rotinas morrem nos feriados
fugiram de casa têm os pés inchados
se rogo por eles nem deus me responde
o poema prostrado saiu da gaveta
um verso rasteiro o levou pra sarjeta
e achou a palavra sem lar nem língua
sem filhos nem pai, nem mãe também
e vejo agora a voz morrer à míngua
feito andarilho nos trilhos do trem.
terça-feira, 26 de agosto de 2014
como as flores
o poema deixou-se cair entre garrafas
vazias e memórias de cabelos loiros
os olhos vagos traziam palavras,
versos, rimas perfeitas
o poema deixou o choro misturar-se
a uma última dose de uísque
o poema trazia entre os dedos
um cigarro e folhas amassadas
o poema, como as flores,
adormeceu no estrume
e sonhou com aplausos
______________________________________
inspirado em poema da difamação do poema
vazias e memórias de cabelos loiros
os olhos vagos traziam palavras,
versos, rimas perfeitas
o poema deixou o choro misturar-se
a uma última dose de uísque
o poema trazia entre os dedos
um cigarro e folhas amassadas
o poema, como as flores,
adormeceu no estrume
e sonhou com aplausos
______________________________________
inspirado em poema da difamação do poema
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
o vinho do silêncio
deixemos que o vinho
do silêncio
respire nossos ares
para saboreá-lo,
antes um estalo de lábios
dedos na boca das taças
nelas, que o silêncio nos escorra
até um quarto
e que o ar se esvaia
em últimos suspiros
no chão, roupas e garrafas mortas
então, vermelhos de vinho
que o silêncio seja um ser
em cio
do lado de fora da porta
do silêncio
respire nossos ares
para saboreá-lo,
antes um estalo de lábios
dedos na boca das taças
nelas, que o silêncio nos escorra
até um quarto
e que o ar se esvaia
em últimos suspiros
no chão, roupas e garrafas mortas
então, vermelhos de vinho
que o silêncio seja um ser
em cio
do lado de fora da porta
terça-feira, 19 de agosto de 2014
eu preciso aprender a só ser
eu preciso aprender a só ser
a largar as mãos para o céu
e entregar a deus o meu copo
pra ver se ele põe mais cachaça
deixei na rua num bar não sei
algumas gestantes alcoolizadas
grávidas de promessas que fiz
eu preciso aprender a ensinar
o que houver de bom no mundo
pra esses filhos que vou ter
vou mentir pra essas crianças
que o ar que eu respiro não vicia
eu que não sou de mentir
olha, até na minha reputação
tem essas manchas de vinho
eu preciso aprender a esquecer
quanto custa um litro de vodca
esquecer o preço do cigarro
mas o preço
do passado
é tabelado
eu não esqueço
terça-feira, 29 de julho de 2014
morrer antes
os bons morrem antes
antes de quê, me pergunto
antes de mim, antes de nós
antes do mundo deixar
a gente ficar junto
só pra puxar assunto
alguma coisa me diz
há uma parede de vidro
que me impede tocar
os bons que morrem
antes de pensar em tocá-los
meus heróis não existem
meus deuses de papel
são crianças de colo
em que precipício me atiro
que encruzilhada jogar-me
o meu sangue tem seu charme
e em meu peito há sempre
um último suspiro
ontem eu tive certeza
de que não sou lá essas coisas
porque finalmente estava sóbrio
ao meu redor vinte cigarros mortos
escrevo pra deus
ou qualquer face que ele tenha
peço que me ensine a ser bom
pra que, como eles
eu possa morrer antes
até hoje
nunca fui bom o bastante
pra poder morrer antes
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
olha este cilindro
olha este cilindro
que branco e lindo
entre os dentes
sente esses cinco minutos
até parece um paraíso
mistura de paz e de luto
agora o amor entre os dedos
pequeno abraço de brasa
quase morte de brinquedo
olha este fantasma
símbolo de abismo
e beijo de asma
que branco e lindo
entre os dentes
sente esses cinco minutos
até parece um paraíso
mistura de paz e de luto
agora o amor entre os dedos
pequeno abraço de brasa
quase morte de brinquedo
olha este fantasma
símbolo de abismo
e beijo de asma
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